Exportação de café para a China é tema de reunião

Exportação de café para a China é tema de reunião no Sindicafé - SP

Que atingir o mercado chinês é o sonho de qualquer segmento da indústria cafeeira brasileira não representa novidade. Mas um distrito em Pequim já bastou para interessar boa parcela de empresários do setor que, no dia 14 de setembro, participou de uma reunião no Sindicafé – São Paulo, organizada em conjunto com a ABIC. O encontro foi com uma delegação governamental chinesa e teve como objetivo estabelecer as primeiras bases do que poderá significar bons negócios em um futuro próximo.

O grupo chinês veio representado por cinco autoridades do Distrito de  Xicheng, capitaneados pelo vice-governador Li Yi e seu principal assistente, Zhang Dong, vice-diretor geral do escritório da sede da construção de Maliandao,  um projeto ambicioso que pretende transformar o local em uma plataforma de cultura e negócios, que inclui a criação de uma rua inteiramente dedicada ao consumo de chá e café. Vem daí o interesse da delegação em contatar os empresários brasileiros, em especial os que trabalham com o café já beneficiado e de alta qualidade. Como disse o vice-governador Li Yi, café e chá são as bebidas mais consumidas no mundo no dia a dia, e poderiam ser duas culturas perfeitamente combinadas por meio de cafeterias ou outros tipos de parceria.

O Distrito de Xiancheng, próximo do centro de Pequim, engloba uma área de 57,7 quilômetros quadrados e tem 1,29 milhão de habitantes.  Ali convergem os centros administrativo e financeiro do país, com grande concentração de serviços públicos. Por isso, o projeto tem o firme propósito de combinar tradição e modernidade.  Nas ruas da região já coexistem as marcas mais famosas de chá, abrangendo cerca de 4 mil produtores. “Gostaríamos de compartilhar experiências com o maior exportador do mundo de café e encontrar maneiras de introduzir a cultura do café na China para além do grão cru”.

Nathan Herszkowicz, diretor da ABIC e presidente executivo do Sindicafé - São Paulo, durante a apresentação da comitiva chinesa e dos empresários brasileiros presentes, lembrou que o forte das vendas para a China ainda são os cafés verdes, in natura, e o solúvel, mas que um novo espaço se apresenta com a construção de uma rua especializada para colocar os produtos acabados. Como destacou Michele Poli Silva, diretora comercial do Café Jurerê, de Santa Catarina, ficou bem claro no encontro o interesse dos chineses pelos cafés especiais, de altíssima qualidade, uma percepção que ela já vinha tendo de negócios anteriores feitos com representantes em Xangai, além do uso de tecnologia chinesa em equipamentos e embalagens. Além de já exibir certificados orgânicos para seus produtos (cafés torrados e moídos), Michele ressaltou que a Jurerê também vai operar com chás especiais vindos da China.

Na reunião as empresas brasileiras se apresentaram rapidamente falando de suas especialidades. Estavam ali representantes de grandes empresas, como a 3 Corações, até pequenas como Villa Café, que já está em Xangai desde 2014 com quatro tipos de café moído e em grão. Muitas das perguntas dos chineses diziam respeito aos certificados de qualidade dos produtos e à questão orgânica, mas mostraram interesse também nos empresários que trabalhavam com cafeterias, caso da Otávio Café, por exemplo, e que só trabalha com linhas gourmet, desde a produção até os cafés torrados e moídos, bem como cápsulas.

O encontro, de acordo com os presentes – foram 27 participantes nacionais, de cerca de 10 empresas – foi bem mais produtivo do que se esperava para um contato institucional. E como os próprios chineses fizeram questão de lembrar, a intenção de ampliar a cultura do café na China não se limita à rua especializada ou ao Distrito de Xicheng, e muitas oportunidades de negócios podem surgir a partir dessa primeira exploração.  “Afinal, somos 1,4 bilhão de habitantes”, lembrou um membro da delegação. Ao que Herszkowicz acrescentou, com bom humor, um antigo sonho do setor: “Nossa grande expectativa é os chineses passarem a tomar duas xícaras de café por dia”.