volta

logo

SINDICATO DA INDÚSTRIA DE
CAFÉ DO ESTADO DE SÃO PAULO


Editorial - logo Editorial

  atualizado em 26/06/2003

É HORA DE MUDAR O FOCO


Ernesto Illy, presidente da illycaffè e do Comitê de Promoção do Café da OIC
(foto ADS - Assessoria de Comunicação)
 

Para minha surpresa, venho constatando que muitos produtores - e até pesquisadores - continuam priorizando a busca de maneiras para produzir mais café investindo menos dinheiro, como se isso resolvesse todos os problemas do mercado.

Assim é que, em Paris, participei recentemente de um seminário com especialistas empenhados em melhorar a planta do café, no sentido de aumentar a sua produtividade e torná-la mais resistente a pragas e intempéries.

Esse esforço está sendo coroado de êxito: a produção mundial de café realmente vem aumentando. Mas, à maior oferta não corresponde um aumento da procura. Então, o preço cai e os produtores ficam cada vez mais desestimulados.

Como desatar esse nó? Uma boa pista é dada por um estudo da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que concluiu: uma redução de 10% no preço do café ocasiona um aumento de menos de 1% no consumo.

Então, fica claro que o rumo atual é o da entropia: por mais que se barateie o produto, não se conseguirá um patamar de consumo satisfatório. O quadro tenderá a piorar cada vez mais.

Segundo dados anunciados em recente reunião da International Coffee Organization, os resultados dessa orientação suicida já se fizeram sentir em grandes consumidores europeus: ao longo da década passada, a Irlanda, Áustria e Suécia tiveram redução de consumo na casa de 20%; e, a Alemanha, de 10%. E isto se deu num contexto de preços baixos. É o pior horizonte possível para a cafeicultura.

Então, seguindo o exemplo de nossos concorrentes, os sucos e os refrigerantes, devemos pensar na conquista de novos consumidores a partir da qualidade do produto que oferecemos . Nestes tempos em que a qualidade de vida da população vem melhorando significativamente nos países do primeiro mundo e nas nações emergentes, há que se habituar as novas gerações a um café saboroso.

Nossos maiores trunfos nessa guerra são o paladar e o aroma superiores. A qualidade se tornará, cada vez mais, um fator de sobrevivência no mercado cafeeiro. Quem compreender essa nova realidade e a ela se adequar, deverá obter as melhores recompensas para seu labor. Para os demais, as perspectivas tendem a ser bem menos auspiciosas.

Assim, meu conselho aos produtores e cientistas é no sentido de mudem o foco, preocupando-se, acima de tudo, em nos fornecer grãos que produzam um café mais saboroso. Pois investir na qualidade é investir no futuro.


Fonte: Revista L´Espresso - publicação da illycaffè - Maio/2003

[O Sindicafé] [Notícias do Café] [IOCI] [CPC] [GAC] [Fórum do Café] [Recomendações Técnicas] [Cursos Regulares]
[Cursos Externos] [Cursos para Crianças] [Monitoramento de Qualidade] [Receitas e Dicas] [Fale com o Sindicafé]