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SINDICATO DA INDÚSTRIA DE
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MERCADO MUNDIAL DE CAFÉ DEPENDERÁ DO BRASIL
Maio de 2007

Ernesto Illy prevê queda da oferta de café por causa do aquecimento global nos países produtores. O consumo mundial de café deverá manter a taxa de crescimento de 2% ao ano nos próximos 20 anos, acredita o presidente da torrefadora italiana Illycaffè, Ernesto Illy. Com esse incremento, a demanda adicional pelo grão deverá chegar a 30 milhões.

Com um volume de consumo tão elevado, apenas o Brasil deve reunir condições para atender esse mercado, afirmou. A capacidade de expansão da produção, segundo Illy, se deve à extensa área de terra e as condições climáticas favoráveis.

Para ele, o possível aquecimento global pode representar um problema para o café de qualidade, tipo arábica, que é cultivado em regiões montanhosas, portanto, uma planta sensível às variações climáticas. Por isso é que atribui ao Brasil, pelas dimensões territoriais, a capacidade de suprir a demanda mundial. Para Illy, o Brasil terá que duplicar a produção de cafés nos próximos anos para atender a procura internacional.

O executivo explica que se por um acaso a temperatura aumentar em uma determinada região produtora de café, as lavouras migrarão para outras mais amenas, o que seria inviável em outros países, como a Colômbia, hoje até então considerado o maior produtor mundial de cafés finos. O empresário diz que aprecia o trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para ele, a estatal tem condições de desenvolver plantas resistentes às novas condições climáticas.

"A lavoura do arábica é delicada, sensível ao frio e ao excesso de calor. Se a temperatura exceder 33C°, os frutos abortam'', diz Illy, que veio ao Brasil participar do 5º Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil. Para o empresário, a qualidade do café do Brasil melhora a cada ano por causa dos investimentos em pesquisa e tecnologia.

O empresário acredita que, por causa das mudanças climáticas, a oferta mundial de café deve cair, enquanto que o consumo deve passar dos atuais 20 milhões de sacas para algo em torno de 150 milhões nas próximas duas décadas.

O mercado de café, segundo o executivo, é prejudicado tanto pelo clima como pelas condições de mercado. Neste momento, segundo diz, sua empresa enfrenta os efeitos da valorização do euro em relação ao dólar. A Illycaffè teme perder vendas aos Estados Unidos - que representam 10% das vendas da Illy. Nos últimos dois anos a moeda européia valorizou 36% na comparação com o dólar. "Nossa preocupação hoje é com a constante valorização do euro, pois nossos custos são pagos em euro e a receita (em grande parte) em dólar''.

No caso do Brasil, como o real também está vinculado ao dólar, o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do café (Abic), Natan Herskorvicz, diz que as processadoras de café estão trabalhando com receita "achatada'', para não perder mercado no exterior. Atualmente, o Brasil exporta apenas 100 mil sacas processadas ao ano.

Fonte: Agrolink

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