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No centro financeiro de Tóquio, a poucos metros do Palácio Imperial,
uma cafeteria ostenta um vistoso letreiro em português: Café do
Centro. Há dois anos, o espaço de 100 metros quadrados foi o primeiro
a receber o logo da marca de café dos empreendedores Rodrigo e Rafael
Branco Peres. Apesar de venderem o grão torrado no Brasil e no mundo
desde 1995 (quando adquiriram a marca), eles nunca tinham pensado
em abrir a própria cafeteria. Decidiram que a primeira loja teria
de ser inaugurada no desconhecido mercado japonês.
Desconhecido, porém promissor. O Japão é o terceiro maior consumidor
de café gourmet do mundo. Não à toa, a rede americana Starbucks
tem no país seu maior mercado estrangeiro. "É um mercado sofisticado,
que poderia trazer retorno maior para o negócio", justifica Rafael.
Uma xícara de café expresso na loja japonesa custa, em média, US$7,00.
Mas vender cafezinho do outro lado do mundo - e num país onde o
chá é uma bebida muito consumida e cultuada - não foi tarefa simples.
Tudo começou com a visita ao Brasil de investidores japoneses do
agronegócio, que procuravam uma empresa torrefadora para importar
café para seu país. Em uma feira de negócios, conheceram os empreendedores
paulistas e a idéia evoluiu para a abertura de cafeterias. Foram
cinco anos de negociações até chegarem à inauguração da primeira
unidade, que teve investimentos de US$1 milhão - metade realizado
pelos sócios japoneses e metade pelos primos Rafael e Rodrigo.
O desempenho da primeira cafeteria estimulou a abertura de outras
na região. O local escolhido foi o sofisticado distrito de Ayoama,
um dos metros quadrados mais caros da capital japonesa. Em agosto,
deve ser inaugurada uma unidade em Taiwan. Filipinas e outras lojas
no Japão também estão nos planos. "Em dez anos, queremos chegar
a 100 unidades na Ásia, que poderá representar 40% do faturamento",
sonha Rafael. O Brasil, por enquanto, não aparece no radar da companhia.
A Ásia também atraiu outra marca de café brasileira sem nenhuma
experiência no varejo. No caso da Café Tiradentes, torrefadora de
São Paulo, a oportunidade surgiu na Coréia do Sul, quase por acaso.
O gerente de exportação Ricardo Vivanco visitou uma feira no País
há cinco anos, de olho no aumento do consumo de café no país. "A
idéia era apenas exportar", conta Vivanco. "Mas percebi que os coreanos
estavam consumindo muito café fora de casa." O encontro com dois
empreendedores locais fez o negócio se concretizar. Duas cafeterias
foram abertas em Seul: uma em 2006 e outra no fim de 2007, em um
conjunto de escritórios de alto padrão. Vivanco não revela os investimentos
nem a participação dos estrangeiros, mas já tem projetos para abrir
outras cinco lojas no país.
Com a vivência sul-coreana na bagagem, a empresa está mais confiante
para abrir a primeira cafeteria no Brasil, prevista para este ano.
"Não conhecíamos os costumes, o gosto, o poder aquisitivo do consumidor
de lá e, por isso, tivemos de garimpar todas as informações", diz
o gerente. "Ganhamos uma experiência tremenda."
Para o coordenador-executivo da Associação Brasileira da Indústria
do Café (Abic), Cristian Santiago, a estratégia dos empreendedores
brasileiros é acertada, pois os asiáticos têm descoberto o consumo
"ocidental" do café - em cafeterias, bares e restaurantes. Além
disso, expor a marca nas cafeterias pode ajudar na conquista do
varejo local. "As cafeterias introduzem o hábito no consumidor.
Depois, fica mais fácil ganhá-lo nas gôndolas dos supermercados."
Ainda segundo Santiago, ser bem-sucedido no Japão abre portas para
os outros países da região. "O Japão é referencial para a Ásia."
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