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Trânsito, ruas movimentadas, comércio e casas não parecem o cenário
ideal para uma lavoura de café. Isso, no entanto, não impede que
exista uma no meio da cidade de São Paulo. O maior cafezal urbano
do Brasil fica no bairro da Vila Mariana, no Instituto Biológico
da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IEA/Apta).
Desde 2006, a primeira derriça do estado é feita no cafezal do
instituto. O "Sabor da Colheita" é uma iniciativa da Secretaria
Estadual de Agricultura e Abastecimento, e marca o início da temporada
de colheita. Entre profissionais ligados à cafeicultura, funcionários
do Biológico e moradores da vizinhança, 150 pessoas participaram
da colheita simbólica no dia 19 de maio. Homens de paletó e mulheres
com bolsas nos ombros escolhiam os grãos maduros e os despejavam
nos balaios que foram distribuídos.
"É fácil colher café, isso qualquer um faz", disse Alcides Machado,
funcionário do instituto que orientava o público. Ele cuida dos
carros da frota do órgão, mas já trabalhou muito tempo no campo.
"Nasci embaixo de um cafezal", brinca. Devidamente paramentado com
botas e chapéu, Machado peneirava o café e posava para fotos. Nas
próximas semanas, será feita a derriça de verdade, desta vez com
profissionais. Distribuídos em uma área de 10 mil m², as 1.530 plantas
produzem em média uma tonelada de grãos, que resultam em cerca de
500 quilos de café moído e torrado. Este ano a expectativa é que
o número dobre. O produto é doado ao Fundo Social de Solidariedade
do Estado de São Paulo.
"Mais do que terapêutico, colher café é uma coisa lúdica", afirmou
Maria Cristina Vasconcelos, pesquisadora do instituto. "Sou uma
'bióloga do asfalto'; é sempre bom ter um contato direto com a natureza".
E quase esquecemos que esta natureza está no meio da cidade. Além
do cafezal, conseguimos ver a ponta dos prédios mais altos. Maria
Rozenowicz e Carlos Bogocian moram na Vila Mariana desde a infância,
e participam do evento desde 2008. Carlos levou luvas. "No ano passado
fiquei com as mãos pretas". Maria gostou tanto da experiência que
anos atrás levou uma mudinha e plantou em sua casa. "Já está dando
frutos", disse animada.
Quem teve a ideia de realizar a primeira colheita do estado em
uma plantação urbana foi o corretor de café Eduardo Carvalhaes.
"Tem um vinhedo urbano em Paris, no bairro de Montmartre, e a primeira
colheita da França sempre é feita lá", conta. "Por que não fazer
algo semelhante em São Paulo?".
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