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Nos últimos anos tem aumentado o interesse do consumidor pelos
cafés gourmet. Segundo levantamento feito pela Abic (Associação
Brasileira da Indústria do café), em 2009 houve um acréscimo de
15% no consumo desse tipo de grão, enquanto que os cafés tradicionais
registraram aumento de 6%.
Parte do sucesso desses cafés especiais, também batizados no mercado
como 'premium', se deve ao aumento das casas especializadas em cafés,
oferta diversificada nas gôndolas de supermercados e ao crescimento
da comercialização de máquinas de café expresso portáteis.
Outro chamariz para a comercialização desse produto é o valor agregado.
"Para a produção de um café gourmet é necessário um grão de alta
qualidade, de sabor diferenciado, intenso, com maior aroma. Podemos
compará-lo com os melhores vinhos", exemplifica Nathan Nerszkowicz,
diretor executivo da Abic. Para ele, a estabilidade da economia
contribuiu muito para o aumento de cafés especiais no Brasil. Aliado
a isso, o preço do produto estabilizou nos últimos anos.
Preocupação
Com a previsão de quebra de recorde na produção para a safra 2010,
que pode atingir 50 milhões de sacas, o setor está preocupado, pois
existe o risco de aumento da oferta do produto, ocasionando uma
redução de preços.
"Orientamos nossos associados, que são mais de 1.200, a serem criativos
para reduzir custos, e uma das formas é estimular a produção de
cafés gourmets, que de certa forma minimizam os prejuízos, pois
o produto tem valor agregado", comenta o executivo da Abic.
Na aposta desse nicho de mercado, muitos cafeicultores estão migrando
para a criação de marca própria, como ocorreu com o produtor Ricardo
Farah, de Bauru, no Cento-Oeste paulista. O investimento feito por
Farah inclui um rigoroso trabalho de seleção de mudas, o acompanhamento
de todas as etapas de produção, a colheita, seleção de grãos, torrefação
e moagem, chegando até a comercialização.
"Procuramos verticalizar a produção e atingir direto o consumidor.
Com isso, estamos alcançando os objetivos, com café gourmet, e o
consumidor paga um preço acima do supermercado, porém, com a garantia
de estar consumindo uma bebida de qualidade maior", diz o cafeicultor.
Fonte: Revista Cafeicultura
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