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SINDICATO DA INDÚSTRIA DE
CAFÉ DO ESTADO DE SÃO PAULO


Recomedações Técnicas Recomendações
Técnicas
para a Qualidade

Parte 1

Recomendações Técnicas
Categorias de Qualidade
Vocabulário das Características de Qualidade do Café
Recomendações Técnicas para a Diferenciação das Qualidades dos Cafés
Avaliação da Qualidade Global do Café torrado e/ou Moído



RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

1. As recomendações técnicas a seguir indicadas representam uma proposta de segmentação do mercado de café torrado e/ou moído através da diferenciação das qualidades. As seguintes definições integram as presentes recomendações :

Segmentação: Segmentação de mercado é o processo pelo qual grupos de clientes ou consumidores potenciais são identificados em uma ou mais dimensões ou características, com o objetivo de elaborar programas de marketing mais eficientes, que possam ser corretamente orientados para um ou mais segmentos selecionados, bem como, posicionar produtos ou serviços em um segmento especifico de mercado. (Philip Kotler)

Posicionamento: Posicionamento é o esforço de implantar o benefício-chave de um produto ou serviço e a diferenciação na mente dos consumidores, facilitando a sua resposta às razões pelas quais se dará preferência àquele produto. (Philip Kotler)

Qualidade Global: Qualidade Global é a percepção conjunta dos aromas, dos sabores, do equilíbrio e harmonia da bebida do café, de suas características de amargor, acidez e corpo, tudo se traduzindo numa sensação agradável durante e após a degustação.

Valor Agregado: Valor agregado do produto ou serviço representa o conjunto de valores adicionados ao seu preço, em função dos benefícios agregados por melhoria de qualidade, conveniência e facilidade de utilização ou de satisfação do consumidor.


2. A proposta básica das presentes recomendações está centrada nas seguintes premissas:
Melhorar a qualidade do café produzido (Benefício para o Consumidor);
Promover um aumento do valor agregado (Suporte dos benefícios para toda a cadeia produtiva);
Diferenciar essas qualidades claramente para o trade e o consumidor (Educação e Marketing).

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CATEGORIAS DE QUALIDADE

1. As diferentes qualidades do café industrializado que são perceptíveis ao paladar nos distintos grupos de consumidores, permitem o agrupamento dos produtos em categorias de qualidade.
Cafés GOURMET
Cafés SUPERIORES
Cafés TRADICIONAIS

2. A descrição técnica dos cafés que compõem estas categorias e dos atributos de qualidade que os diferenciam está indicada no item "Recomendações Técnicas para a Diferenciação das Qualidades dos Cafés". O posicionamento de cada categoria pode ser assim descrito:

Cafés Gourmet: São os produtos mais raros e exclusivos, excelentes, que possuem somente atributos de qualidade positivos, características únicas e marcantes e valor agregado muito superior;

Cafés Superiores: São os produtos de qualidade reconhecidamente boa, acessíveis aos consumidores que a valorizam e que mantêm a sua fidelidade à bebida, e cujo valor agregado deve ser alto o suficiente para permitir a utilização de matérias primas superiores, ótimas embalagens e reinvestimento permanente na categoria;

Cafés Tradicionais: São os produtos com qualidade intermediária, ligeiramente boa a boa, com a melhor relação custo-benefício pela qualidade, que representam a mais ampla parte do mercado atual – os cafés do dia-a-dia – mas com um valor agregado que lhes permita um preço de venda superior ao obtido atualmente.


3. O mercado e o consumidor devem entender claramente que esses produtos têm melhores qualidades, que elas são diferentes entre si e que são perceptíveis na xícara.

4. Da mesma forma como acontece na classificação de vinhos, entretanto, é preciso reconhecer que o mercado de café vai sempre comportar a produção e a comercialização de cafés sem atributos de qualidade que os diferenciem, destinados ao mercado de valor, onde a principal característica é o preço baixo e não a qualidade.

5. Este segmento de mercado é razoável e o industrial deve reconhecer que, havendo consumo deste tipo de produto, haverá sempre a oportunidade comercial de distribuí-los.

6. O item anterior não se refere aos produtos fabricados à margem da legislação, mas sim aos cafés produzidos com matérias primas de qualidade de bebida inferior e de custo baixo, cujo preço final seja tal que os torne competitivos em determinados mercados, em promoções comerciais, licitações publicas sem exigência de melhores qualidades, fornecimentos a cestas básicas ou locais onde o consumidor típico, de baixo poder aquisitivo, tenha alta sensibilidade ao preço e nenhuma exigência quanto à qualidade.

7. Esta categoria de produtos não deve, entretanto, ser considerada como uma Categoria de Qualidade, sob pena de passarmos ao consumidor uma imagem errada do que sejam as qualidades do café.

8. Esses produtos, que chamaremos simplesmente de CAFÉS, serão uma Categoria de Produtos, mas não uma Categoria de Qualidade.

9. Em resumo, a denominação proposta para os diferentes grupos de cafés será:
Cafés GOURMET
Cafés SUPERIORES
Cafés TRADICIONAIS
Categorias de Qualidade
CAFÉS Categoria de Produto

OUTRAS CATEGORIAS:

Cafés Funcionais: São os produtos que fornecem algo mais além do prazer da bebida, contribuindo para o bem-estar do consumidor e satisfazendo a sua necessidade de cuidados com a saúde como, por exemplo, os cafés descafeinados, vitaminados, orgânicos, enriquecidos, etc.

Cafés Inovadores: São os produtos de uma nova geração tecnológica de produtos, como os cappuccinos, os shakes, cafés com leite, cafés gelados enlatados, etc.


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VOCABULÁRIO DAS CARACTERÍSTICAS
DE QUALIDADE DO CAFÉ

Fragrância: É a percepção olfativa do pó de café torrado e moído. A intensidade da fragrância revela o frescor da amostra.

Aroma: É a percepção olfativa da bebida do café. Inalando os vapores que exalam da bebida ainda quente, e, por via retronasal durante sua degustação. Para o café de torração clara, o aroma pode lembrar ao odor de nozes, amêndoas, castanhas frescas e cereal, malte, pão torrado. Para o café de torração média clara pode lembrar ao odor de caramelo, para o café de torração média pode lembrar ao odor de chocolate. Para o café de torração escura pode lembrar ao odor de resina, remédio, especiarias, queimado e cinzas.

Defeitos: Odor e sabor de terra, mofo, batata crua, rançoso, borracha, tabaco queimado, madeira, azedo (vinagre), fermentado, conferidos pelos grãos defeituosos como ardido, preto, verde e impurezas como terra, areia, paus e cascas. Café de excelente qualidade é aquele isento de defeitos.

Acidez: Propriedade sensorial de substâncias como ácidos clorogênico, cítrico, málico e tartárico que produzem gosto ácido. Percebido nos lados posteriores da língua. É característico de café Arábica particularmente de variedades cultivadas em altitude alta. Quando é natural e desejável é chamado de ácido e quando natural e indesejável é chamado de azedo.

Amargor: Propriedade sensorial de substâncias como cafeína, trigonelina, ácidos cafeico e químico e outros compostos fenólicos que produzem o gosto amargo. É percebido no fundo da língua Este gosto no café é considerado desejável até certo ponto. É afetado pelo grau de torração e pelo método de preparo da bebida. Quanto mais escuro, mais amargo é o café. Quanto mais fino e portanto, demorado o processo de extração mais acentuado o amargor.

Sabor: É a combinação das sensações de gosto doce, salgado, amargo e ácido com os aromas de chocolate ou caramelo ou cereal torrado formando o sabor característico desejável. Quando apresenta sabores estranhos (sabor a terra, herbáceo, especiaria, queimado) é considerado indesejável.

Corpo: É a sensação tátil de oleosidade e de viscosidade na boca. Encorpado significa que a bebida é forte e concentrada e não rala, produzindo uma sensação agradável na boca.

Sabor Residual: É a sensação percebida após a ingestão da bebida. O sabor residual é desejável quando deixa um sabor que lembra ao chocolate e indesejável quando lembra ao cigarro queimado, resina, químico, madeira ou outro sabor estranho.

Adstringência: É a sensação de secura na boca deixada após a usa ingestão.

Qualidade Global: É a percepção conjunta dos aromas da bebida e de seu grau de intensidade, sendo que quanto mais aromático, melhor a qualidade do café; dos sabores característicos do café; de um amargor típico mas não o resultante da excessiva torra do grão (ou carbonização); da presença não preponderante do gosto dos grãos defeituosos (verdes escuros, pretos, ardidos) ou de sua inexistência, para o caso dos cafés gourmet; da inexistência do gosto característico de grãos fermentados, podres ou preto-verdes; do equilíbrio e da harmonia da bebida, tudo se traduzindo numa sensação agradável durante e após a degustação.


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Técnicas para a Qualidade - Parte 2

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