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SINDICATO DA INDÚSTRIA DE
CAFÉ DO ESTADO DE SÃO PAULO


Recomedações Técnicas Recomendações
Técnicas
para a Qualidade

Parte 2

Recomendações Técnicas
Categorias de Qualidade
Vocabulário das Características de Qualidade do Café
Recomendações Técnicas para a Diferenciação das Qualidades dos Cafés
Avaliação da Qualidade Global do Café torrado e/ou Moído



RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A
DIFERENCIAÇÃO DAS QUALIDADES DOS CAFÉS

A forma destas recomendações técnicas se baseia e reproduz partes da Portaria 377, de 26 de Abril de 1999, da ANVS- Agencia Nacional de Vigilância Sanitária que estabeleceu a identidade do café torrado e/ou moído, com a inclusão das características de qualidade do café torrado e/ou moído, que atualmente não estão contempladas em seu texto. Elas estão adaptadas às condições predominantes no Estado de São Paulo e representam a contribuição do Sindicafé-SP como um esforço para promover a melhoria da qualidade e possibilitar o crescimento do consumo de café.

RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A DIFERENCIAÇÃO DAS
QUALIDADES DO CAFÉ TORRADO EM GRÃO E CAFÉ TORRADO E MOÍDO
1. ALCANCE

1.1 - Objetivo: Estabelecer as características mínimas de qualidade a que deve obedecer o Café Torrado em Grão e o Café Torrado e Moído. A indicação desses padrões é orientativa, e não obrigatória, uma vez que o que deve interessar é que o produto final se enquadre nos intervalos de Qualidade Global de cada categoria, cuja descrição encontra-se indicada no item 2.2.

1.2 - Âmbito de Aplicação: Aplica-se ao Café Torrado em Grão e ao Café Torrado e Moído, conforme classificação no item 2.2.

2. DESCRIÇÃO

2.1 - Definições

Café Torrado em Grão: é o endosperma (grão) beneficiado do fruto maduro de diversas espécies do gênero Coffea, como Coffea arábica, C. liberica Hiern e C. canephora (C. robusta), submetido a tratamento térmico adequado até atingir o ponto de torra escolhido.

Café Torrado Moído: é o Café Torrado em Grão submetido a processo de moagem adequado.

Qualidade Global da Bebida do Café é a percepção conjunta dos aromas; dos sabores característicos do café; de um amargor típico, do equilíbrio e da harmonia da bebida, do corpo, tudo se traduzindo numa sensação agradável durante e após a degustação.


2.2 - Classificação por categoria de qualidade

Cafés Gourmet são aqueles constituídos de cafés 100% arábica de origem única ou blendados, de bebida apenas mole, mole ou estritamente mole e que atendam aos requisitos de qualidade global da bebida, conforme os itens 3.2, 7.1 e 7.2.

Cafés Superiores são aqueles constituídos de cafés arábica ou blendados com café robusta/conilon, estes com limite até 15% no blend, desde que limpos e de bebida dura a mole e que atendam aos requisitos de qualidade global da bebida, conforme os itens 3.2, 7.1 e 7.2.

Cafés Tradicionais são aqueles constituídos de cafés arábica ou blendados com robusta/conillon, estes com limite até 30% no blend, desde que limpos, com bebida mole a rio e que atendam aos requisitos de qualidade global da bebida, conforme os itens 3.2, 7.1 e 7.2.


3. COMPOSIÇÃO E REQUISITOS

3.1 - Composição
Ingrediente Obrigatório: cafés cru em grãos

Gourmet deve ser constituído unicamente com cafés arábica de bebida apenas mole, mole ou estritamente mole de tipos 2 a 4 (COB – Classificação Oficial Brasileira), com 0% (ausência) de defeitos pretos, verdes e ardidos (PVA), preto-verdes e fermentados.

Superior deve ser constituído de café tipos 2 a 6 COB, de bebida mole a dura, com um máximo de 10% de defeitos pretos, verdes e ardidos (PVA) e ausência de grãos preto-verdes e/ou fermentados. Admite-se a utilização de grãos de safras antigas, robusta/conillon e de cafés verdes claros, desde que seu gosto não seja predominante, estando equilibrados na xícara Para cafés tipo expresso, altera-se o nível de PVA máximo (5% ao invés de 10%), tanto no arábica quanto no Robusta).

Tradicional deve ser constituído de café até tipo 8 Cob, com bebida variando de mole a rio, com um máximo de 20% de defeitos pretos, verdes e ardidos (desde que seu gosto típico não seja acentuado), e ausência de grãos pretos-verdes e fermentados, admitindo-se a utilização de grãos de safras passadas, robusta/conillon e cafés verdes claros, desde que o seu gosto não seja pronunciado e nem preponderante. Esta categoria não será certificada para cafés expresso uma vez que esta composição/descrição só é compatível com a preparação por coador.


3.2 - Requisitos

Características Físicas

Ponto de torra
Disco Agtron
Gourmet Superior Tradicional
60 a 65 Médio claro a
quase médio
   
50 a 65   Médio/moderadamente escuro a médio claro  
45 a 65     Moderadamente escuro
a médio claro

Características Sensoriais e Qualidade global da bebida
Características Gourmet Superior Tradicional
Aroma Característico,
marcante e intenso
Característico Fraco a moderado
Acidez Baixa a alta Baixa a moderada Baixa
Amargor Típico Moderado Fraco a moderadamente intenso
Sabor Característico,
equilibrado e limpo
Característico e equilibrado Razoavelmente característico
Sabor Estranho Livres de sabor estranho Livres de sabor de fermentado, mofado
e de terra
Moderado
Adstringência Nenhuma Baixa Moderada
Corpo Encorpado, redondo, suave Razoavelmente encorpado Pouco encorpado a encorpado
Qualidade Global Muito bom a excelente Razoavelmente bom a bom Regular a ligeiramente bom

Características químicas
Umidade - em g/100g máximo 5,0%
Resíduo Mineral Fixo - em g/100g máximo 5,0%
Resíduo Mineral Fixo, insolúvel em ácido clorídrico a 10% v/v - em g/100g máximo 1,0%
Cafeína - em g/100g mínimo 0,7%
Cafeína para o produto descafeinado - em g/100g máximo 0,1%
Extrato Aquoso - em g/100g mínimo 25,0%
Extrato Aquoso para o produto descafeinado - em g/100g mínimo 20,0%
Extrato Etéreo - em g/100g mínimo 8,0%

Acondicionamento
O produto deve ser acondicionado em embalagens adequadas às condições previstas de transporte e armazenamento e que confiram ao produto a proteção necessária e a preservação da qualidade:
  • Cafés GOURMET - embalagens a vácuo ou com atmosfera inerte ou com válvula aromática. Venda a granel admitida com outros tipos de embalagens, desde que com prazo de validade inferior a 10 dias após a torração.

  • Cafés SUPERIORES - embalagens a vácuo ou com atmosfera inerte ou com válvula aromática. Outros acondicionamentos para uso a granel em grão torrado, somente com prazos de validade inferiores a 15 dias após a torração.

  • Cafés TRADICIONAIS: embalagens tipo almofada ou a vácuo ou com atmosfera inerte ou com válvula aromática. Venda a granel admitida com outros tipos de embalagem, desde que com prazos de validade inferiores a 40 dias após a torração.

4. HIGIENE

4.1 - Considerações Gerais
Os produtos devem ser obtidos respeitando as Boas Práticas de Fabricação.
O café torrado não deve ser consumido, quando estiver alterado ou adulterado por qualquer forma ou meio, inclusive pela adição de corantes ou outros produtos que modifiquem a sua especificação, cujo emprego é vedado, não se admitindo sob qualquer forma a adição de cafés esgotados (borra de solúvel, borra de infusão de café torrado e moído).

4.2 - Características macroscópicas
Deve obedecer à legislação específica.

4.3 - Características microscópicas
Deve obedecer à legislação específica, e deve atender ainda:
Impurezas (cascas e paus), em g/100g - máximo 1%

4.4 - Características microbiológicas
Deve obedecer à legislação específica.


5. PESOS E MEDIDAS
Deve obedecer à legislação específica.

6. ROTULAGEM
Deve obedecer à legislação específica, e ainda:
Aconselha-se constar da rotulagem as indicações de uso e conservação.
Aconselha-se constar as variedades, origens, a categoria de qualidade e/ou denominação específica, níveis do ponto de torra e todas as demais indicações que conduzam a uma boa informação ao consumidor.

7. MÉTODOS DE ANÁLISE
A avaliação da Qualidade Global está baseada em tecnologias e metodologias utilizadas na Análise Sensorial, além dos conhecimentos adquiridos por meio do Programa de Monitoramento da Qualidade do Café Torrado e Moído, do Convênio ITAL/Sindicafé-SP.


7.1 - Avaliação da Qualidade Global da Bebida do Café

Para a avaliação da Qualidade Global, utiliza-se uma prova de xícara feita com o produto final, isto é, o café torrado e/ou moído. Os cafés são preparados em infusão com o uso de filtro de papel, usando-se a diluição de 10 gramas de pó de café para 1,0 litro da bebida, a partir das amostras recebidas e que estão codificadas;

Os avaliadores, em grupos de 4 ou 5 especialistas, provam as amostras codificadas (teste absolutamente cego) usando-se como referência uma amostra previamente preparada de um café de qualidade conhecida. A avaliação nunca deve ser feita por apenas 1 ou 2 provadores, para tornar o resultado mais objetivo.

Os avaliadores, preliminarmente treinados e calibrados, avaliam o conjunto dos atributos da amostra, em procedimento tradicional de prova de xícara (aspirar/degustar/descartar) e atribuem o seu conceito de Qualidade Global na Ficha de Avaliação, usando-se uma escala linear de 0 (zero) a 10 (dez), onde zero representa um café muito ruim e dez representa um café excelente;

A prova é feita por repetição para o mesmo grupo e, finalmente, é calculada a média das avaliações, isto representando a Qualidade Global das amostras.


7.2 - Qualidade Global do Café

A Qualidade Global da amostra do café, calculada da forma como foi indicada no item anterior, estará representada por uma nota, variando de 0 (zero) a 10 (dez), representando as seguintes Categorias de Qualidade:

Cafés Gourmet nota maior que 7,6 (intervalo entre mais que 7,6 e 10)
Cafés Superiores nota maior que 6,5 e menor ou igual a 7,6
Cafés Tradicionais nota maior ou igual a 3,5 e menor ou igual a 6,5
Cafés nota abaixo de 3,5

NOTA MUITO IMPORTANTE:

Os limites recomendados para o total de defeitos PVA, quantidade de robusta/conillon e blends são orientativos e devem ser entendidos como recomendações técnicas que podem conduzir à produção de cafés que atinjam as categorias de qualidade aqui indicadas.

Esses limites não são obrigatórios e não dispensam os conhecimentos individuais de cada industrial, sua experiência e ensaios, bem como, os seus segredos próprios.

Antes das recomendações técnicas, o que deve valer é o efetivo conhecimento do torrefador a respeito das reais preferências dos seus vários segmentos de consumidores locais e/ou regionais.


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Técnicas para a Qualidade - Parte 3

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